Uma nova tecnologia de inteligência artificial (IA) está sendo desenvolvida para auxiliar médicos e socorristas na identificação do infarto agudo do miocárdio, especialmente o mais grave, que ocorre devido ao bloqueio total das artérias. Este sistema, criado em colaboração entre a Universidade de Uppsala, na Suécia, e a Universidade de São Paulo (USP), consegue analisar rapidamente dados do eletrocardiograma (ECG), identificando não apenas a obstrução, mas também a localização exata do bloqueio arterial.
Importância da rapidez no diagnóstico
José Eduardo Krieger, diretor do Laboratório de Genética e Cardiologia Molecular do Instituto do Coração (InCor-USP), enfatiza que “nos casos de infarto agudo do miocárdio, as decisões precisam ser rápidas”. Cada minuto conta, pois a falta de oxigênio pode levar à morte do músculo cardíaco. A ferramenta de IA visa otimizar esse processo decisório.
Desempenho do modelo de IA
O modelo, que ainda é considerado experimental, foi criado a partir de mais de 540 mil exames de ECG de pacientes suecos. Ele se destaca por ser o primeiro validado em populações brasileiras e por sua capacidade de identificar infartos sem a necessidade de recursos avançados. A precisão do sistema chega a 96% em casos com padrões claros, e 82% quando os sinais são menos evidentes.
Integração com o atendimento médico
Essa tecnologia não substitui a avaliação médica, mas fornece apoio na identificação de padrões que podem passar despercebidos. Krieger destaca que a IA é uma ferramenta que pode minimizar erros e atrasos diagnósticos, especialmente em situações de alta pressão.
Próximos passos e validações
O InCor busca aprofundar a validação da ferramenta em condições reais, aproveitando a experiência acumulada na análise de ECGs. A adoção dessa tecnologia na prática clínica requer, no entanto, aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), mas representa um avanço significativo no tratamento de emergências cardíacas.
Fonte: Agencia SP



