Dados sigilosos do Smart Sampa, sistema de monitoramento e reconhecimento facial da Prefeitura de São Paulo, ficaram expostos na internet durante 11 meses, permitindo o acesso não autorizado a imagens de mais de 58 mil câmeras conectadas à plataforma. O caso foi revelado pelo UOL nesta terça-feira (20) e levou o Ministério Público de São Paulo (MPSP) a abrir um procedimento para investigar possíveis falhas de segurança.
Entre as informações disponíveis publicamente estavam 181 logins e senhas de usuários autorizados, dados de mais de 6 mil agentes de segurança e instruções técnicas relacionadas ao funcionamento do sistema. Com esse material, jornalistas do UOL conseguiram visualizar imagens em tempo real de câmeras instaladas em escolas, creches, hospitais e unidades de saúde da capital paulista.
Para demonstrar o acesso, a equipe registrou imagens dos próprios repórteres diante de câmeras do Smart Sampa no bairro Campos Elíseos, região central da cidade. A exposição dos dados possibilitava o acesso não autorizado à plataforma, mas não há confirmação de que todas as câmeras tenham sido acessadas por terceiros.
O prefeito Ricardo Nunes (MDB) afirmou que a administração municipal já sabia do vazamento e monitorava a situação para identificar possíveis acessos irregulares. Segundo ele, um guarda civil municipal que trabalhava no setor responsável pelas senhas teria divulgado as informações. O servidor foi afastado e é investigado pela Corregedoria da Guarda Civil Metropolitana.
Apesar da exposição, a Prefeitura de São Paulo negou que existam fragilidades nos mecanismos de segurança do Smart Sampa e afirmou que não houve utilização indevida da plataforma. A administração também informou que o repositório foi retirado do ar.
Em nota, a prefeitura declarou que o material divulgado não continha senhas de acesso. A informação contraria o que foi identificado pelo UOL e também as declarações de Ricardo Nunes, que mencionou a divulgação de 181 logins e senhas durante entrevista nesta terça-feira.
Diante do caso, o Ministério Público instaurou uma Notícia de Fato, procedimento preliminar que será analisado por uma das Promotorias de Justiça do Patrimônio Público e Social. Caberá ao promotor responsável decidir se há elementos suficientes para a abertura de um inquérito civil.
Implantado em 2024, o Smart Sampa reúne câmeras públicas e privadas e utiliza inteligência artificial para auxiliar na identificação de pessoas procuradas pela Justiça, na localização de desaparecidos e no monitoramento de ocorrências na capital paulista.
Fontes: UOL e Folha de S.Paulo. | Foto: Reprodução/Prefeitura de São Paulo




