O ato realizado na Avenida Paulista para protestar contra o aumento dos casos de feminicídio e a violência contra a mulher reuniu cerca de 9,2 mil pessoas. O levantamento foi realizado pelo Monitor do Debate Político do Cebrap em parceria com a ONG More in Common, utilizando uma metodologia que aplica inteligência artificial na análise de imagens aéreas capturadas por drones.
Considerando a margem de erro de 12% apontada pelo estudo, o público presente no momento de pico da manifestação, registrado às 15h45, variou entre 8,1 mil e 10,3 mil participantes. A tecnologia utilizada, chamada Point to Point Network (P2PNet), identifica e contabiliza automaticamente os indivíduos nas imagens, mesmo em áreas densas. O software foi treinado com bancos de dados de multidões, incluindo imagens brasileiras da Universidade de São Paulo (USP).
A mobilização, articulada pelo movimento Levante Mulheres Vivas, contou com convocações em pelo menos 20 estados e no Distrito Federal. O protesto acontece em um cenário alarmante: o Brasil já registrou mais de mil casos de feminicídio somente em 2025. Pela lei brasileira, esse crime é caracterizado pelo homicídio de mulheres por razões de gênero, como violência doméstica ou discriminação, com penas de 20 a 40 anos de reclusão.
Crimes recentes motivaram atos
A indignação popular foi impulsionada por uma sequência de assassinatos de repercussão nacional. Na última sexta-feira (5), a cabo do Exército Maria de Lourdes Freire Matos foi morta por um soldado dentro de um quartel. Além disso, o ato em São Paulo, que se concentrou no vão livre do Masp e seguiu pela região central, fez referência a duas tragédias ocorridas no próprio domingo na Grande São Paulo: as mortes da farmacêutica Daniele Guedes Antunes, em Santo André, e de Milena de Silva Lima, em Diadema, ambas atacadas por ex-companheiros.
Durante a manifestação, faixas e cartazes com dizeres como “Mulheres Vivas” pediam o fim da violência. A deputada federal Erika Hilton esteve presente e declarou que a ocupação das ruas serve para garantir que “nenhuma mulher será esquecida”, cobrando dignidade e proteção para todas.
Foto: Reprodução/Sâmia Bonfim





