Um novo alerta meteorológico aponta que o atual evento do El Niño tem potencial para quebrar marcas históricas globais nos próximos meses. Estimativas divulgadas pela Organização Meteorológica Mundial (OMM) indicam que as águas superficiais no centro e leste da faixa tropical do Oceano Pacífico podem atingir temperaturas 3,7 ºC superiores à média climatológica no último trimestre deste ano.
Projeções superam marca histórica de 2015
Caso o aquecimento atinja os níveis projetados pelo braço meteorológico das Nações Unidas, o evento superará o ápice registrado entre novembro de 2015 e janeiro de 2016. Naquele período, as anomalias térmicas atingiram 2,6 ºC além dos parâmetros habituais, estabelecendo a maior intensidade documentada até hoje.
Os modelos climáticos indicam que a intensificação do fenômeno seguirá contínua até alcançar seu pico em dezembro. Conforme a OMM, existe uma probabilidade de praticamente 100% de que os efeitos do El Niño persistam ativos ao menos até fevereiro de 2027.
Aquecimento global e alterações nos ventos
O avanço do fenômeno coincide com um cenário de calor extremo em escala planetária. Dados do Serviço de Mudanças Climáticas Copernicus, pertencente à União Europeia, revelaram que agosto teve média global de 16,96 °C, empatando com julho de 2023 como os meses mais quentes da história recente.
Caracterizado por ciclos que variam de dois a sete anos, o El Niño altera profundamente a dinâmica atmosférica. O superaquecimento das águas equatoriais enfraquece ou até inverte a direção dos ventos alísios, desregulando o regime global de chuvas e as correntes de circulação.
Impactos esperados no território brasileiro
Os desdobramentos climáticos costumam provocar efeitos opostos entre os extremos do país. Em território nacional, o padrão atmosférico eleva substancialmente a probabilidade de tempestades severas e enchentes na Região Sul, ao passo que os estados da Região Norte enfrentam períodos prolongados de seca severa acompanhados de calor extremo.




