CidadesEconomiaFrancisco Morato

Arroz e óleo mais caros: entenda por que a inflação dos alimentos disparou no país

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A pandemia e as exportações fizeram com que o preço arroz subisse muito nos últimos tempos. O primeiro movimento de grande procura ocorreu no início do período de isolamento social, quando a busca nos supermercados por alimentos básicos para serem estocados disparou.

Com isso, a indústria viu a necessidade de ir às compras, e os agricultores seguraram a venda do produto, enxergando aí uma oportunidade de valorizar o alimento, que vinha perdendo valor nos últimos anos.

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De acordo com o Cepea, o preço pago no campo pelo arroz subiu 63% em agosto deste ano na comparação com o ano passado, um recorde. O IBGE afirma que o preço do alimento ao consumidor já subiu 19,2% no ano.Se os brasileiros queriam estocar alimentos, houve um movimento semelhante no exterior. E as exportações de arroz em agosto cresceram 98% na comparação com o mesmo mês do ano passado.

“O Brasil foi o único grande produtor agropecuário que conseguiu abastecer o mundo sem problemas durante a pandemia. Diversos grandes players não conseguiram abastecer o mercado internacional, o Brasil sim”, explica Serigati.Com isso, o preço do arroz ao consumidor, medido pelo Índice de Preço ao Atacado (IPA) da Fundação Getúlio Vargas (FGV), já subiu 22,8% nos 12 meses encerrados em agosto.

Outro item básico que viu seu valor disparar foi o óleo de soja. O preço do produto subiu nas 17 capitais pesquisadas pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), com altas expressivas no Rio de Janeiro (+22,4) e em Porto Alegre (+21,1%).

Em São Paulo, o litro, que custava cerca de R$ 3,50, é encontrado acima dos R$ 6. O IBGE afirma que o óleo de soja já subiu 18,6% no ano.

Como o próprio nome diz, o óleo é um derivado da soja, que é o produto mais exportado pelo Brasil. De janeiro a agosto, as vendas do grão ao exterior já superaram o total que foi vendido nos 12 meses de 2019.

Foram negociadas 75,1 milhões de toneladas neste ano ante 56,2 milhões de toneladas do mesmo período do ano passado. Em todo 2019, o país negociou 74 milhões de toneladas.O Brasil produziu nesta temporada pouco mais de 120 milhões de toneladas. Ou seja, os 45 milhões de toneladas “disponíveis” estão em disputa entre exportadores e indústrias brasileiras.

Isso faz com que o grão e seus derivados venham alcançando preços recordes no mercado. Segundo o Cepea, a saca de 60 kg de soja está custando mais de R$ 120 no campo, valor recorde.Ainda de acordo com o centro da USP, os preços do óleo de soja na cidade de São Paulo subiram expressivos 24,9% no mês e 57,5% no ano.E até mesmo o grão que nem foi colhido é disputado. Pela primeira vez na história, agricultores já estão vendendo a soja que vai ser colhida só em 2022.

Além disso, as importações cresceram neste ano e devem bater recorde. Uma ironia para o país que é maior produtor e exportador global do grão.

Fonte: G1

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