O número de imóveis interditados após a explosão causada por uma obra da Sabesp no bairro do Jaguaré, na Zona Oeste de São Paulo, subiu de 20 para 27, segundo atualização divulgada nesta quinta-feira (14). Do total, 22 construções apresentam danos estruturais e precisarão passar por reformas — anteriormente, eram 15. Outras cinco residências seguem condenadas e deverão ser demolidas. Uma nova vistoria técnica prevista para hoje pode ampliar ainda mais esses números.
Ao mesmo tempo, 86 imóveis já foram liberados para o retorno das famílias. Ainda assim, moradores que precisaram deixar suas casas relatam medo de voltar e dificuldades para retomar a rotina após o acidente.
A explosão ocorreu na tarde de segunda-feira (11), após uma obra da Sabesp atingir uma tubulação de gás da Comgás. O acidente deixou um homem de 49 anos morto e outras três pessoas feridas. Ao menos 46 imóveis foram atingidos, sendo dez completamente destruídos.
Diante da gravidade do caso, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), determinou a criação de um gabinete de crise para coordenar as ações emergenciais. A estrutura inclui a chamada Gerência de Apoio do Jaguaré, vinculada diretamente ao gabinete do governador, com a missão de articular órgãos estaduais, levantar demandas das famílias atingidas e acompanhar a recuperação da área.
De acordo com o governo estadual, a medida busca dar mais agilidade às respostas e priorizar o atendimento às vítimas. A coordenação ficará a cargo do coronel da Polícia Militar Elço Moreira da Silva Júnior, que também poderá mobilizar grupos técnicos e comissões para acelerar a recomposição dos danos.
Após visitar o local da explosão, o governador afirmou que as empresas envolvidas serão responsabilizadas. “Vamos punir rigorosamente esse caso. A mão pesada do Estado vai se fazer presente”, declarou, mencionando tanto a Sabesp quanto a Comgás.
O governo também informou a suspensão preventiva de mais de 30 obras da Sabesp em todo o estado após o acidente.
A tragédia ocorre em meio a críticas à atuação da companhia desde sua privatização, concluída em junho de 2024. O ex-ministro Fernando Haddad (PT), pré-candidato ao governo paulista, afirmou nas redes sociais que a medida trouxe prejuízos à população, citando problemas como falta d’água, aumento de tarifas e, agora, o acidente.
No local da explosão, equipes do Corpo de Bombeiros e da Defesa Civil atuaram no resgate e atendimento às vítimas. Segundo os bombeiros, não há mais risco de novas explosões, e as buscas por possíveis vítimas sob os escombros foram encerradas. Moradores relataram momentos de pânico, com pessoas feridas e gritos por socorro logo após a detonação.
Em nota conjunta, Sabesp e Comgás lamentaram a morte do morador e informaram que prestam assistência às vítimas, incluindo suporte médico e psicológico, além de hospedagem em hotéis. As empresas também anunciaram o pagamento de um auxílio emergencial de R$ 2 mil às famílias afetadas, enquanto realizam o levantamento completo dos prejuízos.
A Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado de São Paulo (Arsesp) informou que iniciou uma investigação para apurar as causas do acidente e fiscalizar a atuação das concessionárias. Caso sejam identificadas falhas ou descumprimento de normas, a agência afirmou que poderá aplicar sanções.





