O arsenal de 93 fuzis apreendido na megaoperação nos complexos do Alemão e da Penha, na última terça-feira (28), incluía armas de uso exclusivo dos exércitos do Brasil, Venezuela, Argentina e Peru. A análise do material bélico, fruto da ação mais letal da história do Rio de Janeiro, revela o poder de fogo do crime organizado e as conexões do Comando Vermelho (CV) com quadrilhas de outros estados.
Segundo o delegado Vinicius Domingos, da Coordenadoria de Fiscalização de Armas e Explosivos, a presença de armamento de forças armadas de outros países sul-americanos chamou a atenção. Os fuzis, em sua maioria calibres 5.56 e 7.62, passarão por perícia para identificar as rotas de entrada no país, que se suspeita ser via Paraguai.
Inscrições e desenhos nas armas ajudam a polícia a mapear as alianças criminosas. Marcas como “baiano” e “Tropa do Lampião” indicam a presença de traficantes da Bahia e do Nordeste nas comunidades cariocas. Uma bandoleira com a identificação do Complexo do Alemão e o símbolo da facção Família do Norte (FDN), de Manaus, também foi encontrada.
Outras inscrições fazem referência a criminosos locais, como “bonde do Panda”, e a atividades específicas, como o artigo 157 (roubo), indicando que a arma pertencia a uma célula da quadrilha especializada nesse tipo de crime. Investigadores apontam que armas adquiridas por grupos de fora eram revendidas no Rio, gerando uma nova fonte de renda para os traficantes locais.
A megaoperação, batizada de “Contenção”, resultou em pelo menos 64 mortes, incluindo quatro policiais, e 81 prisões. A ação, que mobilizou 2.500 agentes, faz parte de uma iniciativa permanente para combater o avanço territorial do Comando Vermelho.





