Um filhote de anta-brasileira (Tapirus terrestris), com apenas 20 dias de vida, foi resgatado em Teodoro Sampaio, no oeste de São Paulo, apresentando fraturas e em situação crítica. A operação de socorro foi realizada pela Fundação Florestal, em colaboração com a Usina Atvos, após a descoberta do animal em um canavial no início de setembro.
Operação de resgate em ação
O resgate começou nas primeiras horas da manhã, quando a equipe da Usina Atvos localizou a filhote caída e ferida. A Fundação Florestal foi acionada para prestar socorro, acreditando que os ferimentos foram causados por uma queda em um desnível do terreno. A busca pelo animal exigiu um esforço considerável, com uma caminhada de aproximadamente quatro quilômetros até encontrá-la, camuflada pela sua pelagem rajada.
“Quando conseguimos encontrá-la, percebemos que ela realmente precisava de atendimento rápido. Pegamos a Timótea no colo, levamos para uma área onde pudemos prestar os primeiros cuidados e fizemos a imobilização da perna. A partir dali, começou uma mobilização de várias equipes para que ela pudesse receber o atendimento necessário”, explicou Andrea Pires, diretora de Biodiversidade da Fundação Florestal.
Tratamento e recuperação
Após o resgate, Timótea foi levada à base da Polícia Militar Ambiental e, posteriormente, transferida para a Associação Protetora de Animais Silvestres (APASS) em Assis. No instituto, exames de imagem revelaram fraturas na tíbia, fíbula e pelve, levando a uma cirurgia para estabilização das lesões. Apesar da boa evolução, a recuperação requer cautela, conforme destacou o biólogo Marinho do Instituto APASS.
“Ela está evoluindo bem, está se alimentando e ganhando peso. Mas, por se tratar de um animal silvestre, existem inúmeros fatores que precisam ser considerados durante a recuperação”, enfatizou Andrea.
Desafios para o futuro
Timótea ganhou peso desde sua chegada, passando de 13 para aproximadamente 17 quilos. No entanto, a equipe médica continuará monitorando suas fraturas com novas radiografias para avaliar a necessidade de manutenção da placa utilizada na cirurgia. A possibilidade de retorno à natureza ainda é incerta e dependerá de uma recuperação clínica completa e do aprendizado comportamental necessário para sua sobrevivência no habitat natural.
“Timótea é muito jovem e estaria em uma fase de forte dependência materna. Na natureza, os filhotes permanecem com a mãe por um período que pode chegar a dois anos, aprendendo comportamentos fundamentais para sua sobrevivência”, comentou Andrea Pires, ressaltando a importância de priorizar o bem-estar da filhote neste momento.
A importância da anta-brasileira
O caso de Timótea destaca não apenas os esforços de resgate, mas também a importância da conservação da anta-brasileira, um dos maiores mamíferos terrestres do Brasil. Este animal desempenha um papel crucial nos ecossistemas, ajudando na dispersão de sementes e contribuindo para a regeneração da vegetação.
A presença de antas na região do Parque Estadual Morro do Diabo reforça a necessidade de proteger os remanescentes de Mata Atlântica e garantir que a fauna possa se deslocar com segurança nas áreas protegidas. A Fundação Florestal, em parceria com a Usina Atvos e a Polícia Militar Ambiental, continua a acompanhar e apoiar a recuperação de Timótea, com a esperança de que ela possa retornar ao seu habitat natural no futuro.
Fonte: Agencia SP




