O volume excepcional de chuva registrado na primeira metade de setembro mudou, ao menos temporariamente, a trajetória de queda do Sistema Cantareira. Entre o início do mês e esta segunda-feira (15), o armazenamento dos reservatórios passou de 33,1% para 39,1%, uma recuperação de seis pontos percentuais em apenas duas semanas.
A elevação coincide com um setembro marcado por precipitações muito acima do padrão histórico. Nos primeiros 15 dias do mês, a região do Cantareira recebeu 253,1 milímetros de chuva. O acumulado supera em mais de três vezes a média histórica esperada para setembro inteiro, de 78,8 milímetros, segundo dados da Sabesp.
O volume registrado na primeira quinzena também é o maior para a região desde dezembro de 2024, quando o acumulado mensal chegou a 279,8 milímetros.
Chuva intensa acelerou recuperação dos reservatórios
A mudança mais acentuada no nível do Cantareira ocorreu após as fortes chuvas dos dias 11 e 12 de setembro. Somente nesses dois dias, foram registrados 58,1 e 48,2 milímetros, respectivamente. Somados, os volumes ultrapassaram 100 milímetros.
Antes desse período, no dia 10, o sistema operava com 33,7% de sua capacidade. Um dia depois, o índice subiu para 34,8%. No dia 12, chegou a 36,3%.
O movimento de alta prosseguiu durante o fim de semana. O armazenamento alcançou 37,6% no sábado (13), passou para 38,2% no domingo (14) e atingiu 39,1% na segunda-feira (15).
Outros episódios de chuva também contribuíram para o resultado. Setembro começou com 25,5 milímetros de precipitação no dia 1º. No dia 2, foram mais 23,3 milímetros e, no dia 6, outros 22,2 milímetros. Já no dia 15, o acumulado diário chegou a 21,7 milímetros.
Capital registra setembro mais chuvoso da série histórica
O cenário observado no Cantareira acompanha um mês excepcionalmente úmido em outras regiões paulistas. Na capital, setembro de 2026 já se tornou o mais chuvoso desde o início das medições históricas, em 1943.
Na estação do Mirante de Santana, na zona norte de São Paulo, foram contabilizados 253,8 milímetros até as 9h de segunda-feira (14). O acumulado é superior a três vezes a média climatológica de setembro, de 83,3 milímetros, conforme dados do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).
Com esse resultado, o mês ultrapassou a marca histórica registrada em setembro de 1983, quando o Mirante de Santana acumulou 243,1 milímetros.
Entre os outros meses de setembro com grandes volumes de chuva estão 1993, com 206,7 milímetros; 2015, com 201,7 milímetros; e 1957, com 197,2 milímetros.
A chuva acima da média não ficou restrita à Região Metropolitana. Na região de Campinas, o acumulado entre os dias 1º e 13 chegou a 257,2 milímetros, aproximadamente 3,1 vezes a média mensal de 83,7 milímetros.
Em Registro, no Vale do Ribeira, foram contabilizados 185,3 milímetros até domingo (13), quase o dobro da média climatológica de setembro, de 93,6 milímetros. Com isso, setembro de 2026 passou a ocupar a terceira posição entre os mais chuvosos da série histórica local, iniciada em 1961.
Sequência de frentes frias favoreceu volumes elevados
A quantidade excepcional de chuva está relacionada à passagem sucessiva de sistemas meteorológicos pelo Sudeste. De acordo com a Climatempo, cinco frentes frias avançaram pela região durante a primeira metade de setembro.
A sequência favoreceu episódios frequentes de instabilidade e chuva forte em diferentes áreas do estado, incluindo regiões responsáveis pela alimentação dos reservatórios que compõem o Sistema Cantareira.
O resultado foi uma primeira quinzena bastante diferente do padrão de setembro, mês que normalmente apresenta volumes de precipitação consideravelmente menores.
Cantareira melhora, mas cenário ainda inspira atenção
Apesar da recuperação rápida, o aumento do armazenamento não significa que o Sistema Cantareira tenha retornado a uma situação confortável.
No fim do último verão, entre março e abril, os reservatórios chegaram a 58,2% da capacidade. Mesmo naquele momento, o índice estava abaixo da faixa de 70% a 80% esperada para o período.
Com a redução das chuvas durante o outono e o inverno, o volume armazenado voltou a cair gradualmente. O movimento levou o sistema a iniciar setembro com apenas 33,1% da capacidade.
A chuva intensa registrada neste mês interrompeu essa sequência e permitiu que os reservatórios recuperassem parte do volume perdido. Ainda assim, mesmo depois da alta de seis pontos percentuais, o Cantareira permanece abaixo dos níveis observados em períodos de maior segurança hídrica.
A evolução nas próximas semanas será importante para determinar até que ponto a chuva excepcional de setembro conseguirá produzir uma recuperação mais duradoura antes dos meses mais quentes.
Segunda metade de setembro deve ter menos chuva
Depois de uma primeira quinzena excepcionalmente chuvosa, a tendência é de diminuição das precipitações na região do Cantareira nos próximos dias. A previsão aponta para um período predominantemente seco até sábado (19).
A chuva poderá retornar a partir de domingo (20), com possibilidade de pancadas moderadas a fortes em alguns momentos até o encerramento do mês.
A segunda metade de setembro também deverá apresentar intervalos maiores de sol e temperaturas mais altas. Esse cenário aumenta a evaporação e pode contribuir para uma nova redução do volume armazenado caso as chuvas não sejam suficientes para compensar as perdas.
Por isso, apesar do salto registrado na primeira metade do mês, a situação do Cantareira continuará dependendo do comportamento das chuvas nas próximas semanas. Em apenas 15 dias, o sistema recebeu mais de três vezes o volume médio esperado para setembro inteiro — uma concentração excepcional que trouxe alívio aos reservatórios depois de meses consecutivos de queda.


