A Polícia Civil indiciou Breno de Souza Castro por duplo vicaricídio pela morte das filhas Ísis Helena, de 5 anos, e Lais Heloisa, de 3, em São Paulo. A informação foi confirmada pela Secretaria da Segurança Pública (SSP) nesta quarta-feira (12).
Os corpos das duas crianças foram encontrados dentro de um carro na manhã de domingo (9), Dia dos Pais, na Rua Luiz Supertti, no Jardim Guanabara, Zona Sul da capital. Segundo o boletim de ocorrência, as meninas foram mortas por asfixia.
Breno foi preso em flagrante no mesmo dia. Ele se apresentou no 48º Distrito Policial, em Cidade Dutra, e afirmou que havia matado as próprias filhas. A partir do endereço informado por ele, policiais localizaram o veículo e encontraram os corpos das crianças.
Inicialmente, a ocorrência foi registrada como homicídio e violência doméstica. Na segunda-feira (10), após audiência de custódia, a Justiça converteu a prisão em flagrante em preventiva.
Indiciamento por vicaricídio
A Polícia Civil considera que as mortes ocorreram em um contexto de violência contra a mãe das meninas. Ela relatou aos investigadores que vinha sendo perseguida e ameaçada pelo ex-companheiro desde o fim do relacionamento, em março.
O vicaricídio passou a ser previsto na legislação brasileira após a sanção de uma nova lei, em abril. O crime ocorre quando alguém mata descendente, ascendente, dependente, enteado ou pessoa sob guarda ou responsabilidade direta de uma mulher com a finalidade específica de provocar sofrimento, puni-la ou exercer controle sobre ela, dentro de um contexto de violência doméstica e familiar.
A pena prevista é de 20 a 40 anos de reclusão, além de multa.
No caso investigado em São Paulo, a motivação apontada no boletim de ocorrência seria ciúme da ex-companheira.
Mãe relatou ameaças e perseguição
Em depoimento, a mãe das crianças contou que manteve um relacionamento de aproximadamente oito anos com Breno e que os dois tiveram as duas meninas. Segundo ela, a relação terminou depois de episódios de agressão e traição.
As agressões anteriores, de acordo com o relato, não chegaram a ser registradas em delegacia. Após a separação, porém, a mulher afirmou que passou a ser perseguida e ameaçada pelo ex-companheiro.
No sábado (8), um dia antes do crime, ela entregou as filhas à ex-sogra, que costumava ficar com as crianças aos fins de semana. Segundo o relato, a entrega era realizada no meio do caminho para evitar que a mulher encontrasse Breno, que morava no andar de cima da residência da mãe.
No domingo, após a mulher publicar uma fotografia com amigas, Breno teria enviado uma mensagem dizendo que aquela seria a última vez que ela veria as filhas. Ele havia buscado as crianças e informado que as levaria ao Museu do Ipiranga.
Com a demora para o retorno das meninas, uma familiar entrou em contato com Breno. Segundo o relato prestado à polícia, ele respondeu que ninguém mais veria as crianças e afirmou que iria matá-las e, depois, tirar a própria vida.
A mãe retornou à casa da ex-sogra e permaneceu no local acompanhada de familiares enquanto eram realizadas buscas por Breno e pelas duas filhas.
Horas depois, já na manhã de domingo, Breno compareceu à delegacia e confessou ter matado as meninas. Os corpos de Ísis Helena e Lais Heloisa foram encontrados dentro do veículo no endereço indicado por ele.
*Com informações do G1



