A Receita Federal interditou, na segunda-feira (18), dois dos principais shoppings de comércio popular da região do Brás, no centro de São Paulo, durante uma megaoperação que pode resultar na apreensão de até R$ 300 milhões em mercadorias irregulares. Os estabelecimentos — Shopping 25 Brás e Stunt — permanecerão fechados por pelo menos duas semanas para fiscalização.
Segundo o órgão, os dois centros comerciais reúnem cerca de duas mil lojas e estão entre os maiores da região. Durante o período de interdição, auditores irão verificar a regularidade dos produtos comercializados. Mercadorias com documentação fiscal comprovada serão liberadas, enquanto itens sem comprovação serão apreendidos, com possibilidade de regularização posterior por parte dos lojistas.
Imagens do primeiro dia de operação mostram sacos com camisetas amarelas da Seleção Brasileira. De acordo com a Receita, a proximidade da Copa do Mundo foi um dos fatores que motivaram a ação, especialmente pelo aumento na circulação de produtos falsificados ligados ao esporte.
Além de uniformes esportivos, foram identificadas falsificações de camisetas de clubes, artigos esportivos e calçados. A fiscalização também encontrou cigarros eletrônicos — cuja comercialização é proibida no Brasil — e perfumes sem origem comprovada. Até a última atualização, não havia registro de prisões.
Ao todo, 95 servidores participaram da operação no primeiro dia, com previsão de reforço no efetivo ao longo da semana. A ação tem como foco identificar mercadorias estrangeiras introduzidas no país sem controle aduaneiro, o que pode configurar crimes de contrabando e descaminho.
A Receita Federal aponta que a região central de São Paulo é um dos principais polos de distribuição de produtos irregulares do país, abastecendo inclusive outros estados. O órgão destaca que essas práticas geram prejuízos como sonegação de impostos e concorrência desleal, além de possíveis vínculos com crimes como lavagem de dinheiro, corrupção e trabalho análogo à escravidão, e riscos à saúde pública pela ausência de fiscalização.
De acordo com a auditora fiscal Fernanda Avendanha, o foco da operação é o combate à pirataria, especialmente de produtos esportivos em razão do contexto da Copa, além da retirada de itens proibidos e eletrônicos que entram ilegalmente no país.
A Associação de Lojistas do Brás (Alobrás) informou que não possui associados nos dois shoppings interditados e afirmou não apoiar a comercialização de produtos piratas. Em nota, o vice-presidente da entidade, Lauro Pimenta, declarou esperar que a ação contribua para fortalecer a concorrência justa e valorizar a moda nacional.
*Com informações do G1





